Sabe aqueles dias em que você pensa “Puta que pariu porque eu acordei?”. Eu venho pensado nisso a semanas…Por que tudo que a gente não quer que aconteça acontece, e tudo que a gente quer que aconteça nunca acontece. Pensamos sempre no melhor, mas quanto mais a gente pensa mais coisas piores acontecem.
Tempos que não voltam. Momentos que não voltam. Só a saudade que fica, permanece e mata.
Por que a vida tem que nos surpreender de uma maneira tão bruta? As coisas acontecem de uma maneira e de repente acabam em outra. Muitas vezes não conseguimos entender, é complicado, é brabo, é triste, muitas vezes é deprimente passar por certas coisas. Se as coisas andam bem por que diabos não continuam bem? Seria tão mais fácil tão mais doce tão mais incrível. Ninguém sairia ferido, machucado. Ou melhor… Não existiria sofrimento!
— (ao—teu-lado)
Hoje cheguei a conclusão de que para ser feliz você precisa de alguém ao seu lado. O que é a vida sem boas risadas á dois? A vida se resume em estar com alguém para poder compartilhar o que á de melhor. Não digo só as coisas ruins…As coisas ruins fazem com que fortaleça a vontade de estar junto. E quando acontece ao contrario, precisamos lutar até o fim! Se promessas fora feitas, essas promessas deverão ser cumpridas. Seria muito fácil deixar as coisas para trás e esperar que elas se ajeitem sozinhas. Sabemos muito bem que quando deixamos algo para trás ela nunca voltará a ser o que ela era antes. Sei que nos dias atuais está cada vez mais difícil encontrar alguém que se preze, que cumpra com suas palavras. Mas ei, não desista! Quando você encontrar a pessoa certa você entenderá o porque de ter passado tudo o que você passou e saberá como lidar com as adversidades.

Anonymous said: ♚ / vigiador.
Prontinho mô..
5 ok?
Carol aqui
Eu observei o tempo passar da sacada do meu apartamento. Sentado no chão frio e úmido, eu vi os tempos movimentados e os desertos, do dia à noite. Vi meus vizinhos, toda aquela gente que me tratava como um desconhecido qualquer, indo embora um por um. Eu conhecia todos eles, cada um, cada mania, cada detalhe da rotina de cada pessoa que passava por mim e fingia não me ver. E eles foram embora sem ao menos saber quem eu sou. Não todos, é claro. Havia uma senhora, uma daquelas velhinhas simpáticas e engraçadinhas que estocam balas em casa pra agradar os netos. Mas ela não tinha balas e nem netos. A sacada da velhinha era de frente pra minha. Todos os dias, logo depois de eu acordar junto com o sol, colocar a camisa, servir meu café e sentar no chão da sacada, via a senhora na porta da sacada dela com um jarrinho engraçado em uma das mãos e uma xícara de chá na outra. Aguava a meia duzia de plantinhas que cultivava em vasinhos cor de barro, levantava o olhar, sorria pra mim e acenava com a cabeça. Eu sorria de volta, é claro, sempre gostei muito da velhinha. Ela se sentava eu uma cadeira de madeira cheia de almofadas com estampas desbotadas, pegava um livro enorme que ela nunca acabava, abria na mesma pagina do dia anterior e derramava chá na saia. A velhinha passava o dia lá, como eu, observando o mundo em volta, as vidas ao redor da sua. Ela era a unica que me observava, como eu a observava. Eu não sei exatamente se gosto de ser observado, mas gosto de saber que não sou o único maniaco observador por aqui. E cada dia depois da vinda da velhinha pro apartamento de frente pro meu, eu me sentia menos sozinho e anormal. Eu sabia que ela sabia de todos ali tanto quanto eu. Eu sabia que ela percebia que eramos invisíveis aos outros. Sabia também que ela já estava acostumada a ver e deixar passar. Eu me via meu futuro na velhinha. Ok, talvez eu não me tornasse um senhor de expressão tão amigável quanto ela, mas eu sabia que eu seria assim. E não via problema algum nessa coisa de solidão. Começando a entardecer, ela soltava o livro, entrava em casa e comia uns biscoitinhos de mel bebendo café com leite. Eu continuava na sacada, sempre. Só entrava na cozinha pra servir mais café. Minutos depois de terminar os biscoitinhos a velhinha voltava pra cadeira na sacada. Olhava pra cima, às cores, até o sol ir embora por completo e as estrelas tomarem o céu. A velhinha não gostava de estrelas, preferia quando o céu ficava meio marrom de noite, por causa das nuvens pesadas de chuva. A chuva muda a rotina, um imprevisto. A chuva apressa, meio que desespera as pessoas e as faz esquecer dos detalhes de suas rotinas. Mas eu não esqueço, nem a velhinha. As rotinas erradas dos dias de chuva a deixavam mais atenta e ela nem encostava no seu livro. Mas quando tinha estrelas não tinha chuva no outro dia. A velhinha ficava na sacada até as ultimas horas do dia, então ia dormir. Isso se repetia sempre, todo dia de sol e de chuva, toda noite marrom ou de estrela. Até que um dia eu me sentei na minha sacada, e fiquei lá, até o sol atingir seu ponto mais alto, e a velhinha não apareceu. Havia algo errado e por mais que eu não quisesse admitir, eu sabia o que era. Peguei meu celular, que era inútil na minha rotina, disquei o numero do hospital, que por pura sorte eu sabia. Minutos depois uma ambulância chegou. Era inicio da tarde, os homens carregavam um corpo. Todos interromperam com suas rotinas pra ver o acontecimento. Tentei fingir que não aconteceu, mas não funcionou. Levaram a senhora pro hospital. Na manhã seguinte ela foi enterrada, enquanto eu observava todos seguindo suas rotinas. Eles não percebiam? E a velhinha que os observava, ela não fazia parte da vida deles? Não, eles só a viram uma vez, de verdade, e ela já não vivia quando ocorreu. Naquela tarde, uma moça entrou no apartamento da velhinha. Era filha dela, eu soube. Então a velhinha teve alguém. Não parecia. Fiz algo que estranhei. Desci as escadas, sentei na beira da calçada e esperei a moça voltar do apartamento da senhora. Ela demorou. Perguntei-a onde a velhinha havia sido enterrada, as palavras demoraram a sair dos meus lábios, e quando saíram foram somente um sussurro rouco. A moça achou estranho, acho que eu não inspiro confiança as pessoas, mas ela me respondeu mesmo assim. Um cemitério do outro lado da cidade. Fui dormir cedo naquele dia. Acordei junto com o sol, como de costume, como de rotina. Coloquei uma roupa mais decente, desci as escadas e sai. Atravessei a cidade a pé mesmo, invisível como sempre, agora observando o chão. Entrei pelos portões de ferro enormes do cemitério e procurei o túmulo dela. Vi a foto da velhinha e ao lado seu nome, que eu havia descoberto um dia antes. Não havia nenhuma inscrição ou passagem da bíblia como nos outros túmulos. Talvez ela não tivesse significado nada pra ninguém. Além de mim, é claro. A velhinha foi muito pra mim, mesmo sem trocar palavras. Trocávamos sorrisos. Bobo, mas muito menos solitário. Compartilhávamos a mania de observar. Observávamos um ao outro e eramos os únicos a fazer isso. Ela notava minha presença e me via diferente dos outros. Passei o dia todo sentado lá, observando o túmulo da velhinha. Tentava não pensar em como seria a rotina daqui pra frente, sem ter pra quem sorrir. Menos um pra observar. Não. Ninguém à observar-me. A velhinha não era só mais uma como todos os outros que passaram por lá e agora que ela se foi, sentia-me mais sozinho, desprotegido. Era estranho. Acho que eu gostava de ser observado, gostava de saber que alguém percebia a minha presença. A velhinha se foi e eu que me senti um fantasma. Não importa. A noite chegou e eu voltei pra casa. Dormir até acordar com o sol, colocar uma camisa, servir café, sentar na sacada e sorrir. Só sorrir e esperar que alguém perceba e sorria de volta.
Eu e a minha mania de me manter longe. Aprendi a bloquear aquelas ideias que não deveriam mais voltar a me atormentar, as coisas que me foram ditas que não deveria lembrar e tudo que me falam sem eu querer saber. Às vezes, prefiro as futilidades mesmo. Aquelas que a gente não precisa pensar muito ou sentir pra entender. Daquelas que a gente só ri e concorda, não precisa de um sentido. Só me permito chorar por alguns, e geralmente, é por mim mesma. Me permito sentir saudade de vez em quando e me perguntar onde foram parar aqueles que disseram que não me deixariam. Me permito considerar conselhos, tentar mudanças que eu sei que me fariam bem. Me permito gostar de alguns, de vez em quando. Me deixo sentir um pouquinho até umedecer os cílios, limito-me a isso. Ou tento, já que por mais racional que eu tente ser, nem sempre consigo controlar. As vezes, mesmo sem me permitir, deixo-me levar um pouco mais. Chego a deixar o rosto fique com aqueles desenhos estranhos, como raízes molhadas. Beiro o desespero. Verdade. Mas esqueço isso. Arranco as raízes e recupero os limites. Volto às futilidades, só rir e concordar. As vezes, é até divertido.
Os amores vão embora, os tais amigos te esquecem, a saudade te toma por inteiro, as lágrimas frias rolam pelo teu rosto. Quem está contigo agora? A solidão. Até quando todas as lágrimas e essa imensa saudade te abandonarem, a solidão continuará lá para te tomar nos braços e faze-lo dormir, cantando as cações de ninar que tu conheces de cor. Quando não sentires mais nada, e só lhe restar seguir em frente, a solidão te tomará pela mão e lhe puxará à diante pra que continues andando. E tu perceberás que ela agora é tudo que tu tens, e passará a dar valor a ela e a ti mesmo, passará a trata-la como amiga íntima e deixará de tentar afasta-la. Tu só precisas parar de olhar pros lados e prestar mais atenção à ti. Ela só está procurando um jeito de ensinar-lhe que tu és tudo que tu tens.